Tuesday, September 2, 2008

Cinema

Há cerca de 7 anos, durante um período de 2 anos, tive a "honra " de trabalhar num dos mais simbólicos cinemas de Lisboa.
Numa tentativa de recuperar velhos hábitos, instituiu-se a não permissão de comer ou beber dentro das salas, devolveu-se o "intervalo" e proibiu-se a exibição de publicidade, exceptuando a antecipação e divulgação de outros filmes.
Eu sou do tempo em que a ida ao cinema era uma espécie de acto social. Regra geral era organizada em grupo e o bom do intervalo promovia o convívio.
Ontem fui ao cinema com o meu filho mais novo. "Palavra de honra" que ando irritada com esta história de há uns tempos para cá: pagamos o bilhete e somos literalmente "lixados" com 15 minutos de publicidade. Não, não são filmes de publicidade (aqueles de verdadeira inspiração artística cuja criatividade é potenciada no grande ecrã), são filmes banais que nalguns casos passam mais do que uma vez.
Depois, o intervalo foi recuperado, não com a intenção "romântica" de tentar restabelecer os bons hábitos de convívio, mas permitir aos mais gulosos que se ausentem rapidamente para comprar mais pipocas, bebidas ou chocolates.
Ir ao cinema já não obedece a critério nenhum a não ser o de não ter nada para fazer. Lamento pelos meus filhos, já não há o respeito pela tela e o entusiasmo do grande filme é, frequentemente, ultrapassado pela sofreguidão de devorar pipocas.
Confesso que, por mais do que uma vez, me apeteceu pedir o livro de reclamações para fazer saber que não pago para ver publicidade, mas filmes. Talvez faça o que nos é sugerido com alguma frequência, sobretudo nos cinemas "Lusomundo", ver os canais da telecine e ficar em casa, por mais paradoxal que possa parecer.

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