Wednesday, March 28, 2007

Chunga Babe

O que é um(a) Chunga Babe?
O nome é engraçado, eu acho-lhe imensa piada, não é da minha autoria, é do Pedro, mas todos conhecemos o conceito ou estereótipo. Não sou preconceituosa, longe disso, apenas achei graça e decidi discorrer sobre o assunto, por isso e correndo o risco de criar algumas inimizades, passo a descrever, no feminino porque é mais fácil:

- Na maioria dos casos, a Chunga Babe não é originária de Lisboa, por isso fala orgulhosamente das férias na "terra" e das festas a que assiste todos os anos, chega a ser presidente da comissão de festas, cargo que lhe assenta que nem uma luva, dada a sua predisposição natural para a liderança e organização de "eventos", qualidades que raramente são potenciadas pelos chefes nos locais de trabalho, certamente por receio que tanta competência e eficácia possa perigar o seu próprio lugar;
- É suburbana, vive nos arrabaldes de Lisboa ou um pouco mais longe, em grandes apartamentos ou moradias vistosas, as horas que perde nas filas de trânsito - sim porque a Chunga Babe não se mistura com o povinho nos transportes públicos - são compensadas, na sua opinião, pela qualidade de vida de que usufrui no local onde mora, ainda que regresse a casa a altas horas da noite e seja obrigada a sair de madrugada para o emprego;
- Tem poder de compra, embora prime pela ausência total de gosto, investe muito em ouro e "jóias" que faz questão de exibir e de usar em simultâneo, gasta imenso dinheiro em roupa que acumula nos espaçosos roupeiros de casa. Gosta de vestir roupas de marca, mas acha que não vale a pena comprar nas lojas: os ciganos vendem a "mesma roupa" nas feiras, nem se percebe a diferença e muito mais baratas, aliás, segundo as próprias, as "tias de cascais" também lá compram;
- Regra geral é anafada, embora reclame que está em dieta permanente e exiba de forma orgulhosa as saladas que devora à hora do almoço, compensando as almoçaradas familiares e os petiscos com os amigos no fim-de-semana, normalmente à base de boas feijoadas recheadas com os enchidos extraordinários que recebem da "terra";
- A Chunga Babe não viaja, não por questões financeiras, mas porque não se sente atraída pelo estrangeiro, afinal o que há lá fora também já temos em Portugal, julgo que aqui o raciocínio decorre das célebres viagens que se faziam a Badajoz e dos caramelos, é apenas uma associação inconsciente. Mas a ida anual a Haya Monte, aproveitando as famosas férias no Algarve, não falha, nem que seja para comprar os malditos caramelos.
Enfim, haveria muito mais a dizer sobre o género, se entenderem podem dar sugestões. Um dia destes vou dissertar sobre o Chunga Babe no masculino: também tem muito potencial.

Uma Dica: Todos nós conhecemos alguém que se enquadra nestas descrições, eu própria conheço e adoro, normalmente são pessoas excepcionais, são generosas e estão de bem com a vida, que é o que realmente importa. Quanto ao estilo: cada um tem o seu.

Monday, March 26, 2007

O Melhor Português de Sempre

Pois é...

A RTP lançou um desafio aos portugueses, eleger "O Melhor Português de Sempre", e agora corremos o risco de vermos eleito um ditador, que isolou Portugal durante 40 anos.

Alguém, que muitos portugueses desejariam nunca ter conhecido. Tem piada, porque os defensores enaltecem a sua capacidade financeira e de negociação: parece que evitou o envolvimento do nosso país na 2ª Guerra Mundial.

Mas, confesso, tenho algum "pudor" em perceber que num desafio deste género, o ditador mais recente, aquele que melhor permanece na nossa memória, seja eleito o melhor português de sempre. Bem, parece que também havia um jovem "actor" de uma dessas séries juvenis, na lista, o que não deixa de ser uma referência relativamente ao género de público que vota e ao critério que orienta as suas opções.

Como não vou acabar de ver o programa, tenho imenso receio de acordar amanhã num país que elegeu Oliveira Salazar como "O Melhor Português de Sempre". É realmente assustador!

Uma Dica: Talvez seja melhor, não levar este programa muito a sério e pensar que a maioria das pessoas, inteligentes, se alhearam completamente e nem se preocuparam em participar neste programa. Mesmo assim não deixa de ser anedótico.

Tuesday, March 13, 2007

Anatomia de um beijo no feminino

BEIJO DE MULHER
Apaixonado, descarado, desejado, frio ou quente, ausente, envolvente, fútil e desprendido quando é preciso

BEIJO DE MÃE
Dedicado, sofrido ou magoado, amado, sorridente e sempre presente

BEIJO DE MENINA
Feliz, animado, muito mimado, redondo e exigente

Uma Dica: hoje não há dicas, só beijos!

Monday, March 12, 2007

A RTP na nossa memória

É incrível, a RTP fez na semana passada 50 anos!

Foi no dia 7 de Março, com uma gala que me surpreendeu, pela positiva, apanhei a transmissão a meio e dei por mim a vê-la até ao fim. Sim vi, a princípio por curiosidade e depois porque me prendeu, porque apareceram aquelas pessoas que não se viam há anos, mais velhas, mas que fazem parte da nossa "cultura" televisiva. Achei muita graça à ideia de revisitarem os jingles publicitários, os festivais da canção, telejornais e programas antigos.

Recuei no tempo e vi-me sentada na sala da casa dos meus pais, ainda criança, com a minha irmã e os meus primos, a Mariana, o Francisco e a Bia, às 6 da tarde, depois de mais um dia de pularia e de índios e cowboys, com um sorriso estampado no rosto, fixados a ver o genérico de abertura, tive umas saudades. Como foi feliz e preenchida a minha infância, com a minha irmã e os primos da nossa idade, para brincarmos e saltarmos um dia inteiro, como éramos criativos, sem televisão e consolas de jogos para nos ocuparem os dias; como ansiava a chegada de Domingo para ver o "Cartaz Tv", apresentado pelo Jorge Alves, só para poder usufruir de uns escassos minutos de um filme de desenhos animados; como fiquei triste quando anunciaram a sua morte no pequeno écran da minha sala e como tive dificuldade em explicar aos meus pais o ataque de choro de que fui acometida, lembro-me até hoje.

Depois lentamente as telenovelas começaram a povoar o nosso quotidiano, primeiro timidamente e mais tarde de uma forma absolutamente descarada que resultou, nos dias de hoje, em 3 ou 4 horas de horário nobre, assassinadas por histórias que não valem um caracol.

Agora que a multiplicidade de canais e a tv cabo convivem diariamente connosco, eu confesso que tenho muitas saudades dos tempos em que a escolha era resumida a dois canais, agora que o glamour das estrelas de televisão dos anos 60, 70 e 80 foi substituída pelo vedetismo das personalidades emergentes dos reality shows, surgem novas caras todos os dias, para logo desaparecerem sem deixar rasto.

Enfim, resta-me o consolo de ter vivido aqueles tempos, que teimam em resistir na minha memória.

Uma Dica: Quer se queira quer não, quer se goste ou não de o admitir: a RTP faz parte da nossa memória. Eu, pela parte que me toca, guardo boas recordações.

Saturday, March 3, 2007

Colégio Militar - 204º aniversário

Fundado em 1803, o Colégio Militar é uma das mais prestigiadas instituições de ensino de Lisboa, cujas instalações e infra-estruturas o colocam entre os melhores colégios do mundo.

Hoje, comemora 204 anos de existência. Mais uma vez, embora confesse que não vá lá estar, vai decorrer o tradicional desfile da Avª da Liberdade. Não vou, mas posso descrevê-lo: vejo os "ratas", os alunos do 1º ano, a abrirem orgulhosos o desfile, os botões dourados reluzem, as botas negras reflectem o empenho da graxa da noite anterior, a espingarda pesa e a barretina teima em escorregar, mas seguem orgulhosos e esquecem o cansaço de dois meses de preparação para o aniversário; depois ano a ano seguem os outros alunos e a escolta a cavalo, ex-líbris do colégio, encerra de forma altiva o desfile que acaba com a missa na igreja de São Domingos, no Rossio. Cá fora os antigos alunos confraternizam nas tasquinhas com a tradicional ginjinha, mais um ano se passou.

Apesar das contrariedades o Colégio Militar continua a sobreviver. Afastou-se consideravelmente dos objectivos que orientaram o seu fundador, Marechal Teixeira Rebelo, cuja intenção era acolher filhos de militares em combate, com o fim da guerra colonial deixou de fazer sentido essa necessidade de protecção aos filhos dos combatentes.

Actualmente, o Colégio Militar permite a entrada a qualquer aluno que queira ingressar, desde que obtenha aprovação em todas as provas de acesso, que são bastante rigorosas, acreditem.

Para quem gosta de lá estar, é uma excelente opção de ensino, o rigor e a disciplina incutidos resultam, ao fim de oito anos, em excelentes resultados. Não é por acaso que o Colégio Militar tem uma taxa de, praticamente, 100% de sucesso no acesso à faculdade, muitos deles em cursos de medicina. Também não é certamente por acaso que cinco ex-presidentes da República foram alunos do Colégio.

Pessoalmente, como mãe de um ex-aluno, tenho dificuldade em entender algumas das regras, mas admiro a forma como mantêm viva a chama da tradição e a mística colegial, que só quem teve a honra de envergar a farda cor de pinhão, pode realmente entender.

Uma Dica: Percebo que todos os pais almejem o melhor na formação dos seus filhos e apostem forte, mas há situações em que obrigar uma criança pequena a afastar-se de casa e dos amigos por um capricho, dá mau resultado, muito mau resultado.

Tuesday, February 20, 2007

A arte do palavrão

Hoje decidi falar do palavrão. Não no sentido de uma palavra de pronúncia difícil, mas aquela de conotação obscena.
Todos sabemos que por questões culturais há certas zonas do nosso país, onde este tipo de linguajar faz parte do quotidiano, talvez por isso não se estranhe a sua utilização em todas as camadas e idades, utilizam-na de uma forma tão natural que não fere os ouvidos mais susceptíveis
É certo que também há círculos profissionais onde este tipo de linguagem se tornou um must, mas neste caso é circunscrito ao local de trabalho, afirmo-o com muito à vontade porque já tive oportunidade de conviver com ele, nem todos são aficionados mas convivem bem com o género.
Eu própria já os disse, daqueles palavrões que até têm pêlos, no momento próprio claro, sim - porque também existem momentos próprios para os palavrões. Até porque todos nós os conhecemos, não é?
Agora, fora destes contextos e sem querer parecer demasiado púdica, soa-me mal, desculpem lá, mas soa, não consigo, muito sinceramente, entender a necessidade de introduzir palavrões de forma gratuita.
Os palavrões na língua inglesa, têm um certo charme, mas os nossos são feios, há que admiti-lo. O mais charmoso dos indivíduos, com um palavrão introduzido na altura errada, é imediatamente vulgarizado, isto é tão verdade para o sexo feminino como para o masculino.
Então e o palavrão na arte da sedução? Uma catástrofe, na minha opinião, qual é a ideia? Não percebo sinceramente, querer parecer muito modernaço, espírito aberto? Hummm, não me parece que funcione. Não me lembro de ter ouvido alguma vez alguém a gabar-se: "ontem conheci fulano(a), disse-me uns palavrões ao ouvido, que me puseram de quatro, acho que estou apaixonada(o)!".
Ah, já sei! O palavrão é próprio de um determinado meio pseudo-intelectual, pá! Consta que Alexandre O'Neill também dizia muitos palavrões. Será que era bem-sucedido na arte da sedução? Será que era o palavrão que seduzia ou a genialidade que o caracterizava?
Não, nada disso, há pessoas que falam mesmo assim no dia-a-dia. Acham mesmo? Também arrotam e cospem no chão e dão livre-trânsito aos seus impulsos flatulentos?
Esperem, outra hipótese: não gostam de guardar esqueletos no armário, por isso chamam as coisas pelos nomes, para estarmos mais à vontade! Mas alguém quer sinceramente saber se têm esqueletos no armário? Quanto mais ser-lhes apresentados!
Enfim, podia perder horas e até dias, a cogitar sobre a arte do palavrão no relacionamento social e profissional, mas acho que vou deixar isso para um projecto a médio prazo: "Tratado do uso do palavrão em Portugal".

Uma Dica: Eu não sou de impor regras de comportamento social às pessoas com quem me relaciono, cada um é como é. Mas quando não gosto ou não me sinto à vontade com algumas atitudes, digo e faço questão que percebam.

Sunday, February 18, 2007

Amizade

Do latim amicitãte, diz-nos o dicionário que amizade significa afeição por uma pessoa, simpatia, dedicação, atracção.
Mas não nos diz o dicionário que a amizade tem uma outra série de implicações, se não vejamos, dificilmente a amizade existe sem um sentimento de reciprocidade, nós não conseguimos sentir afeição por alguém que nos rejeita.
Não falo da amizade subentendida em laços familiares, admito que nalguns casos exista este tipo de afeição, quase masoquista, por pessoas que fora deste contexto não nos provocariam mais do que um reles sentimento de repugnância. Mas alguém terá determinado superiormente, que a família é excepção e por isso não são admitidos juízos de valor acerca deste estranho sentimento de solidariedade que determina as relações familiares.
Quero essencialmente, referir-me à amizade que sela a relação de duas ou mais pessoas que não têm mais nada em comum para além disto, são aquelas que não nos são impostas, em que a génese da democracia funciona na sua plenitude, eu decido de quem gosto e de quem quero ser amiga, tout court.
Porque ao longo da minha vida já estabeleci várias relações deste género, muitas mesmo, sobretudo devido à minha natureza excessivamente extrovertida, já sofri, naturalmente , algumas decepções que vão rareando à medida que avanço na idade. Claro que estou mais exigente e mais intolerante a certo tipo de atitudes.
Os meus verdadeiros amigos, contam-se pelos dedos de uma mão, sabem perfeitamente quem são, que podem contar incondicionalmente comigo e eu com eles, seriam incapazes de ficar com inveja de um sucesso meu ou familiar, muito pelo contrário, ficariam orgulhosos; gostam de me ver feliz, porque isso também contribui para a felicidade deles e nunca, mas nunca, me julgariam sem antes ouvirem atentamente a minha versão sobre determinado acontecimento.
Às minhas amigas e amigos, pessoas tão especiais e fundamentais para o meu equilíbrio emocional, fica esta minha mensagem: "vocês estão e estarão sempre no meu coração, ainda que esteja um mês sem vos fazer um único telefonema".

Uma dica: não vale a pena investirmos em pessoas por quem sentimos alguma dessa atracção, elemento essencial à amizade, quando o sentimento não é recíproco. Mais cedo ou mais tarde vamos acabar por ter uma decepção, é um risco demasiado previsível para um investimento desta natureza.

Wednesday, February 14, 2007

O meu gabinete de trabalho


Confesso que a actividade laboral não é propriamente um assunto prioritário neste "sitio".
Mas não posso deixar de falar do meu gabinete, quem me conhece bem sabe perfeitamente onde trabalho e não é disso que estamos a falar, falamos de ambiente.
Embora tenha tido imensos problemas de adaptação, o meio é complicado, a verdade é que trabalho numa sala com pessoas extraordinárias e duvido que no universo da minha instituição, haja outra assim.
Na verdade quem abre a porta sem pré-aviso, arrisca-se a encontrar uma destas situações: as raparigas ensaiam passos de dança, regra geral de músicas dos anos 80 ou anteriores, sempre sob o olhar babado dos rapazes; decorre uma acalorada discussão, pode ser sobre política ou questões sociais ou porque o Pedro nesse dia está para aí virado; pode deparar-se com uma "desgarrada" de diferentes tipos de música, normalmente ocorre quando o Ezequiel insiste em ouvir música clássica mais alto; pode estar alguém a chorar porque nesse dia está mais sensível, agora acontece mais com a João que está à espera de bebé; uma criança pequena com ar de reguila que insiste que é o homem aranha, quando a Xana leva o seu rebento; a Patrícia a refilar comigo porque saí no momento exacto em que toda a gente me decidiu ligar; todos sossegadinhos e concentrados cada um no seu cantinho ou em gargalhada colectiva o que para quem entra é realmente constrangedor.
Para além de um disfarçado "vocês são meio loucos, não são?", nunca ninguém me disse o que pensa quando se ouvem as nossas gargalhadas ou cantorias, fora de portas, ou quando ao fim do dia se fazem corridas no longo corredor encerado, ou quando o Ezequiel, farto de me ouvir, decide empurrar-me porta fora sentada na minha cadeira de secretária, e decide ir passear-me até ao elevador. Mas também nunca ninguém nos chamou à atenção ou nos mandou calar, é um facto. Provavelmente porque a nossa loucura acaba por manter um equilíbrio harmonioso num local que, por tradição, é cinzento.
Agora que, por motivos de força maior, perdemos a Patrícia, antes que mais alguém saia, não queria de deixar de vos dizer: "I love you all, guys".

Uma dica: as relações pessoais no trabalho são, regra geral, muito complicadas. Por norma não escolhemos quem queremos para parceiro de sala, somos impostos uns aos outros, resta-nos a vontade de encontrarmos pontos comuns em cada um, o que como em todas as relações pode significar cedências de parte a parte. Mas é o suficiente para um ambiente de trabalho mais harmonioso, acreditem.

Tuesday, February 13, 2007

Namorados


Hoje, porque é dia dos namorados, lembrei-me de dedicar uma mensagem especial ao meu primeiro namorado, com quem casei, com quem continuo a namorar há mais de 20 anos.
Porque é uma pessoa muito especial, que me deixou entrar no seu mundo de banda desenhada, em que mergulhou algures na infância e de onde nunca mais saiu.
Pois, o Pedro é mesmo assim, vive no mundo da fantasia, a 200 à hora, qualquer coisa fora dessa realidade é completamente irrelevante, a não ser a família, por quem tem uma dedicação absoluta.
Quando o conheci, o Pedro era um autêntico príncipe que me fascinou desde o primeiro minuto, além de ser um homem lindíssimo, tinha um sentido de humor excepcional, era mesmo arrebatador e imaginem: eu casei com ele, para inveja de muitas "bruxas".
Passados estes anos todos, o Pedro continua a ser um homem muito interessante, com um sentido de humor ainda mais apurado, revelou-se um pai excepcional e apaixonadíssimo, faz de mim uma pessoa ainda mais especial, a cada dia que passa.
Porque nunca é de mais dizermos o óbvio, aqui fica a minha apaixonada declaração a um dos homens que dá sentido à minha vida.

Uma dica: amigas, o que há mais por aí são príncipes encantados, o risco é transformarem-se em sapos depois do primeiro beijo, é importante saber medir o risco.

Saturday, February 10, 2007

A mulher "Ideal"

O que é isto da mulher "ideal"?
Numa troca de palavras entre família, percebi que choquei marido e filhos, apenas porque, aparentemente, assumi uma postura mais agressiva do que é normal.
Agressiva porquê?
Porque provavelmente me senti em minoria, eles são três, e para me fazer ouvir tive que falar mais alto e porque me irritaram, fiz um comentário mais cruel.
Na verdade, passada e resolvida a questão, percebi que eles não gostaram de ouvir uma opinião diferente, neste caso, com uma forte conotação feminina, porque era isso que estava em causa: o ponto de vista feminino versus o masculino.
Mas fiquei triste, sobretudo porque percebi que eles não gostam que as mulheres tenham opinião, a não ser que seja a deles, claro.
A mulher ideal é, por isso, aquela: que cozinha, que mantém a casa organizada, que trabalha, que se lembra dos aniversários de toda a família, que tem sentido de humor, que é carinhosa e bem disposta, que tem visual arranjado e, sobretudo, a que apoia com bons argumentos as opiniões dos parceiros - difícil?
Nem por isso, para nós é rotina, para eles seria um missão IMPOSSÍVEL.
Já agora e para que fique registado nós, as mulheres, gostamos de homens organizados, que tenham gosto pelo visual, que sejam carinhosos connosco e com os nossos filhos, que sejam simpáticos com as nossas amigas, mesmo que as achem umas parvas, que tenham sentido de humor, que usem perfume, que façam a barba, pelo menos de dois em dois dias, e acima de tudo, se mostrem solidários nos momentos difíceis - muito mais fácil, não?
Claro que não, eu sei que é muito difícil satisfazermos o outro, mas também não custa nada tentar e fazer o esforço.

Uma Dica - a harmonia familiar é uma meta nem sempre fácil de atingir, mas que todos nós desejamos. Por isso, o melhor talvez seja procurarmos equilibrar o jogo de forças, nem que para isso tenhamos que "fingir" que cedemos, mas é a única forma de não vivermos em conflito permanente.

Sunday, February 4, 2007

Mãe Babada















Pois sou uma mamã absolutamente babada.
Porque tenho um filho excepcional, que me mima com os seus beijos inesperados, não quero deixar de lhe dedicar uma mensagem especial nesta minha experiência na "blogosfera".
Há uns anos, quando partilhava com alguém a minha tristeza, porque o André, apenas com 9 anos tinha decidido ir para o Colégio Militar, afastando-me consideravelmente do seu quotidiano, disseram-me que: "ser mãe é morrer todos os dias um bocadinho".
A frase, devidamente fundamentada, veio de uma respeitável Senhora, que muito admiro, com muitos mais anos de experiência de mãe do que eu. Hoje, com a experiência que entretanto acumulei e desenvolvi, dir-lhe-ia, Dra Aline: "ser mãe é renascer todos os dias, um bocadinho".
Agora que o André já atingiu a respeitável idade de 21 anos, tornando-se num jovem responsável, com objectivos definidos; agora que a confusão deu lugar à certeza, que a tortura dos testes de matemática foi substituída pelo desafio das orais de direito, que as jogatanas de futebol na escola, deram lugar às tertúlias de café, olho para ele e sinto um orgulho enorme pelo ser humano em que se transformou.
Não estou nada arrependida de o ter apoiado em decisões insólitas, como a do Colégio Militar em tão tenra idade, quando a maior parte das pessoas dizia que crianças com aquela idade não tomam decisões. Depois a opção da área de ciências, sem queda nenhuma para a matemática e mais tarde a opção do Direito, com previsões de sucesso muito improváveis, tendo em conta os hábitos de estudo que revelava até aí.
A verdade é que o André surpreendeu tudo e todos e uma vez que o irmão tem menos 11 anos, a minha questão, neste momento, é: "será que sou capaz de voltar a fazer o mesmo?", ou melhor:"como é que eu fiz?"
Julgo que a resposta é: descontrair o mais possível e ultrapassar uma etapa de cada vez.
Uma dica: não vale a pena projectarmos nos nossos filhos, aquilo que, em tempos, desejámos para nós próprios, o mais certo é estarmos a projectar uma decepção, o que não vai certamente contribuir, nem para a felicidade deles nem para a nossa.

Wednesday, January 31, 2007

Para a Inês

Olá Inês, muitos parabéns princesa

Há exactamente 15 anos, estava com a tua mãe numa sala de partos da Maternidade Alfredo da Costa e enquanto ela me torcia e arranhava as mãos com que carinhosamente a tentava acalmar, eu suplicava-lhe em voz baixa: "por favor não grites, porque não me deixam ficar aqui se tu gritas".
Foi uma experiência única, que devo ao milagre do teu nascimento. Eras redondinha vermelhucha, parecias uma autêntica boneca e eu nem levei máquina fotográfica, para registar o momento.
Ao longo destes 15 anos tenho-te visto crescer: esperta e precoce, começaste a andar muito cedo, a captar a conversa das pessoas, com 3 anos eras capaz de reproduzir um diálogo com terceiros, depois a fase pirosa das "Barbies", lembras-te?
E de repente, já és uma senhorinha, cheia de carácter, segura de si, com muito mau feitio, mas linda que nem uma princesa.
Tenho pena de não estar mais vezes contigo, para dizermos uns disparates uma à outra e nos rirmos, assim é que devia ser, não era?
Mas hoje, como é um dia muito especial, o que eu te quero dizer é que desejo que continues a crescer com a mesma harmonia e que faças de ti uma mulher excepcional.

Uma dica:nem todas as pessoas traçam objectivos iguais aos nossos, o segredo das verdadeiras amizades é aceitar e gostar dos outros como eles são e não cair no erro de os querer iguais a nós.

Tuesday, January 30, 2007

Aborto: Sim ou Não

Tinha prometido a mim mesma, que não me iria manifestar relativamente a este assunto e muito sinceramente, não tenciono participar em discussões.
Mas não posso deixar de manifestar a minha surpresa, relativamente ao lema escolhido para abordar o debate:"Aborto - sim ou não", estarei baralhada?
Não falávamos de despenalização ou percebi mal, há seguramente aqui um mal entendido, conveniente para uma das facções, obviamente.
Eu acredito que o aborto é um acto de desespero, não de desprezo.
Há excepções, claro, mas julgo que esta decisão deve ser tão difícil, que a própria penalização é consumada no acto e nos dias, meses e anos que lhe seguem.
Então, vamos lá a ver se percebi, o que vai ser referendado é, basicamente, se se concorda que uma mulher seja julgada, eventualmente presa, se praticar o aborto, não é?
Pois, não é para se saber se concordamos ou não com a prática do aborto, porque em consciência ninguém concorda, então porquê este debate?
Sinceramente, sinto-me insultada por esta gente que "dá o cu e um tostão", para aparecer na televisão, tantos movimentos, para quê?
Despesismo excessivo em campanhas, incomodam-me, desculpem, mas incomodam, estão em todo o lado, a distribuir panfletos, como se fossemos todos, um bando de atrasados mentais.
Eu já decidi como vou votar, decidi que não quero que ninguém fique vinculado à decisão de um grupo de pessoas e seja penalizado por isso, ponto final.
Uma dica: já que têm que nos maçar com a campanha ao menos sejam esclarecedores e falem do que interessa, evitem o acessório.

A importância masculina


A importância masculina ou a importância que os homens dão a si mesmos?
Um episódio passado com o meu filho mais novo há um par de dias, tirou-me do sério.
O rapaz de 9 anos de idade, foi confrontado com uma terrível situação, que passo a descrever:
Chegada a casa ao final do dia, na esperança de encontrar o sorriso generoso, que me oferece diariamente, dou com ele de cabeça e ombros caídos, com um ar infelicíssimo. Surpreendida, questionei para tentar perceber o motivo de tanta tristeza, na ausência de resposta e curiosa, como é natural, procurei saber junto do irmão mais velho e do pai o que teria provocado tal estado de espírito, "qualquer coisa com o telemóvel", respondeu o irmão evasivo e sem paciência, procurei saber se se passava alguma coisa com o telemóvel, avaria ou saldo, obtive apenas um triste abanar de cabeça.
Perante a minha insistência e preocupação, o irmão lá esclareceu que o problema estaria relacionado com o excesso de sms que uma amiguinha da escola tinha enviado. Pacientemente peguei no telemóvel e fui verificar o tal "excesso" e conteúdo das mensagens e deparo-me com meia dúzia de fotografias de carros, curiosamente dos que ele mais gosta de desenhar, e ri-me, só podia, a minha atitude irritou-o e fê-lo reagir, "tu não percebes", disse-me, "ela anda a sediar-me e eu já não aguento mais, eu tinha decidido que não queria casar-me e mesmo que queira ainda sou muito novo para estas coisas", fiquei literalmente com a cara à banda.
Realmente, sempre estive convencida que este tipo de atitude teria mais a ver com a educação do que com outra coisa qualquer, mas não, aparentemente é inata, eles já nascem com isto.
Mas que diacho, uma pessoa quer ser simpática e é automaticamente mal interpretada, já anda a assediar, mas que importantes e giros e tudo o mais que eles são.
Resultado, o Duartinho, pelo seu comportamento, levou um sermão: aprender a respeitar e ser agradecido com quem se mostra simpático e generoso e eu percebi que tenho que estar atenta e tentar corrigir este tipo de comportamentos.
Uma dica: eu digo aos meus filhos que todas as mulheres são umas princesas, embora tenha consciência que há por aí muita bruxa má, mesmo assim prefiro correr o risco.

Para começar - coisas de mulher

Como é que se começa nestas coisas, nem sei. Apenas sei que tenho um espaço de partilha, posso desabafar, dizer disparates e só lê quem quer.
E enquanto se preparam as coisas para mais uma manhã "stressante", como tantas outras, vamos disparatando.
Ocorre-me que a maior parte do mulherio, que tem filhos - casado ou não - entenda-se, estará por esta altura, depois dos banhos e dos jantares organizados a antecipar mais uma rotina matinal: preparar roupas, adiantar refeições e tentar organizar o que nunca está organizado, na esperança, vã, que no fim disto tudo ainda reste algum tempo para espreitar um livro, uma revista, um filme ou até uma telenovela, tempo para si própria.
Terminadas as tarefas, há alguém que, honestamente, ainda tenha energia para fazer um esforço suplementar, para além de vestir o pijama e calçar as pantufas?
Sim, estou a falar de disponibilidade mental e física para seduzir o parceiro ou sentir-se seduzida, sem nenhum sentido de obrigatoriedade.
Gostava de conhecer alguém ajuizado, que me explicasse como pode ocorrer tal milagre. Não se trata de manter uma relação, porque isso todas nós, vamos fazendo com uns fins-de-semana inesperados e um jantar romântico aqui ou ali, trata-se de mantermos viva uma chama, de nos sentirmos desejadas e seduzidas pelos nossos parceiros.
Enfim, eu confesso que pelo menos faço um esforço, julgo que a receita está no empenho com que nos dedicamos às causas.
Uma dica: embora exija um certo esforço, gosto de surpreender com um pequeno-almoço de scones, resulta sempre.