Monday, July 2, 2007

Tu

Tu que me pareces tão distante.

Que deixaste de me visitar e já nem me telefonas, provavelmente porque mergulhaste noutro mundo do qual me tento alhear o mais possível.

Queria dizer-te que penso em ti todos os dias, apenas não sei como te ajudar - talvez porque tenho a perfeita consciência que não o posso fazer.

Tu que me inspiras o maior dos carinhos, afliges-me por te sentir tão distante!

Esta semana hei-de ir visitar-te com um daqueles bolos de que tu gostas.

Entretanto recebe mais uma rosa perfumada.

Uma Dica: Homem, apenas homem/ No meio de homens/ Que de homens sabem a vida (Bento, José Maria in Tempo de Viagem)

Sunday, June 17, 2007

Meu pequeno Príncipe


O Duarte é um autêntico príncipe.


Encanta-me o seu ar ternurento, esmaga-me o sorriso gentil que me oferece sem esforço- agora enfeitado com o metal do aparelho, derrete-me a adoração que transporta nos olhares que me dirige e a forma como me procura para receber o mimo que lhe é devido. Quando me abraça ou se aninha carinhoso no meu colo, faz-me desejar que não cresça mais, só para o manter assim só meu, até ao infinito.


Já sinto saudades, só de pensar que daqui a uns anos, não muitos, se vai desprender: a voz vai engrossar, os rapazes têm este problema; vão crescer os pêlos; as borbulhas hão-de salpicar-lhe a pele e a adolescência vai certamente revolver-lhe as hormonas e conferir-lhe o estatuto de pequeno "grunho" - que me desculpe o sexo masculino, mas vocês têm uma fase muito complicada, por volta dos 15 e até aos 17-18 anos, ficam insuportáveisinhos.


Para já e sem querer pensar muito nisso, vou-me deleitando com as obras de arte do Duartinho - que é um autêntico artista; deliciar-me com as estórias que o seu imaginário transporta e que reproduz com a credibilidade que lhe é possível e que são autênticas referências para o nosso grupo de amigos.


Quando digo que o Duarte é um autêntico artista, não me refiro apenas ao rigor do traço, refiro-me também à forma como teatraliza os pequenos acontecimentos que decorrem no dia-a-dia e que de forma habilidosa transforma em autênticas estórias do fantástico, em que não falha o mínimo pormenor. A saber: durante uma festa e à frente de várias pessoas, vindo do nada, o Duarte resolveu dar a conhecer aos presentes de como se lembrava de quando era apenas um "permatosóide", de como foi ultrapassado pelo irmão na "primeira corrida", de como se esforçou e conseguiu vencer todos os outros naquela louca disputa em que a taça era, imaginem, um óvulo, depois e com alguma graça afirmou que não era lá muito bom a matemática, mas excelente a nadar e à laia de conclusão informou que apesar de agora se chamar Duarte, na altura em que era "permatosóide", chamava-se Zézinho.


Apesar de ser assim, com esta veia artística, o Duarte é extremamente tímido, é capaz de passar horas sem fim sozinho, no seu pequeno mundo, sem que ninguém dê por ele. Depois lá aparece para resgatar a atenção que lhe é devida, para voltar a desaparecer provavelmente mergulhado noutra estória fantástica.


Acima de tudo, o que mais me toca é a forma como me trata - obviamente sou a sua princesa, o que faz dele o meu pequeno príncipe.


Uma Dica: Não raramente vemos crianças a fazer birras, que vulgarmente designamos por excesso de mimo. Ninguém mima mais os meus filhos do que eu - tenho a certeza e não os vejo a fazer uma cena dessas. Há uma diferença entre mimo e educação, não tenham medo de mimar os vossos filhos, é do melhor que há, com a certeza de que esse mimo vos será seguramente retribuído.

Friday, June 15, 2007

Subsídio-dependência

A Subsídio-dependência define-se, na minha opinião, como a sobrevivência à conta do subsídio.

Há um par de dias frente à televisão, enquanto via o telejornal, fiquei a saber através dos rodapés que resumem as noticias do dia, que um festival de música terá sido cancelado por falta de apoios do município onde "assentava praça".

Acho extraordinária a ideia de organizar um festival, com fins lucrativos, à conta do dinheiro do contribuinte. Já que se referendou a despenalização do aborto, tive uma ideia luminosa: "bora aí referendar se o contribuinte concorda com a isenção de taxas de ocupação e de publicidade, atribuição e impressão de material de divulgação, disponibilização de meios técnicos e humanos, para a concretização destes festivais cujo o principal objectivo é, basicamente, engordar as contas bancárias dos seus promotores?"

A questão até pode ser mais bem elaborada, mas já serve de base para o referendo, não acham? É que a quantidade de dinheiro e o esforço humano investido é enorme - para um município é um grande investimento.

Acho curioso e fico chocada com a lata dos promotores, em virem acusar publicamente as entidades oficiais, responsabilizando-os pelos seus próprios fracassos. Não seria normal, já que o acesso a estes festivais é pago, que estes senhores gerissem as suas contas de forma a suportarem todos os encargos?

Não sei se têm estado atentos mas ultimamente tem sido recorrente, o número de eventos cancelados pela falta de apoios - leia-se falta de dinheirinho para a promoção, pois que também não o há para tapar os buracos nas estradas - aumentou.

Uma Dica: Não quero ser injusta no juízo que faço sobre este assunto, até porque há eventos e eventos. Até concordo que haja algum apoio para impulsionar os primeiros, mas o mais normal é que, a partir de uma certa altura, se tornem autónomos e auto-suficientes. O dinheiro dos municípios deve ser investido na promoção dos seus próprios eventos culturais - não é por nada, mas tenho cá a impressão que com tantos apoios, depois não sobra nada para o serviço público.

Thursday, June 14, 2007

Luis


O Luis é uma das pessoas mais extraordinárias que conheço.

Porque me sinto uma previligiada, tive oportunidade de trabalhar com ele, tenho que fazer saber quem é o Luis. Desculpem o meu egoísmo, mas é precisamente por isto que tenho o blog.
É um ser humano único: é generoso, simpático, organizado, empenhado e disciplinado; em matéria de educação e de formação dá lições a muito boa gente. É um técnico de excepção, com uma capacidade de trabalho extraordinária.

É tão raro encontrarmos alguém assim! Tenho uma adoração enorme por ele e faço imensa questão de o fazer saber.

O Luis é uma daquelas pessoas que me faz sentir realmente abençoada - nem toda a gente tem oportunidade de privar com estas pessoas e ter a noção exacta no momento certo para poder usufruir da sua companhia, eu tenho e por isso não lamento não lhe ter dado mais atenção - dei toda a que me era possível, enquanto trabalhei com ele.

Agora que o nosso projecto em comum chegou ao fim, com o sucesso que lhe é devido, já tenho saudades de o ver por perto, deixo-lhe este "post" como homenagem e como reconhecimento à pessoa fantástica que é.

Uma Dica: Há de facto pessoas que, pelas suas qualidades excepcionais, são raras, eu já tive a sorte de me cruzar com algumas. Já tive o desgosto de perder uma delas, talvez por isso faça tanta questão de manifestar o meu carinho pelo Luis - para que nunca fique nada por dizer.

Para ti

Para ti que lês o meu blog.

Já te conheço há 10 anos, devo confessar que nunca pensei escrever sobre ti. Achava-te uma pessoa distante, antipática não, mas achava que tinhas aquele ar altivo - provavelmente conferido pelo cargo que ocupavas na altura. Agora que te conheço um bocadinho melhor, julgo que era uma defesa tua.

Gosto de ti, aprecio aqueles cigarros que partilhamos no corredor, ultimamente não tem sido possível, hoje, mais calma, dei comigo a pensar nisso e sinto a falta desses momentos.

És das poucas pessoas com quem falo de igual para igual, não preciso de activar as minhas defesas contigo porque sei que és uma mulher inteligente. Não sei muito a teu respeito, nem tu sobre mim, no entanto trocamos impressões diariamente, isso é um sinal de como tu és uma pessoa "mentalmente saudável".

Hoje pensei em ti e como tu, com uma generosidade enorme, segues a minha escrita e és curiosa relativamente ao que lês, este "post" é um projecto adiado - mas só agora tive tempo. É apenas uma forma de manifestar o meu reconhecimento pela tua simpatia e pela admiração que tenho por ti.

Uma dica: Nem todas as pessoas que se riem para nós e nos dão palmadinhas nas costas gostam realmente de nós, por outro lado nem todos os que parecem distantes são desinteressados ou antipáticos.

Monday, May 21, 2007

Pessoas

pessoas mesmo parvas.

São tão parvas, que não consigo encontrar-lhes outro nome para além de: pessoas. É a forma mais simpática que encontrei para banalizar aquela classe de "gentalha"que se presume melhor que os outros.

pessoas que apetece achincalhar só de olhar para elas. São mal-educadas por natureza, a arrogância que encerram nos pobres espíritos convenceu-as que são mais giras, mais espertas e bem-sucedidas, ah! - não esquecer que também se vestem muito bem e têm corpos fantásticos.

A estas pessoas extraordinárias sobra-lhes em descaramento o que lhes falta, em larga escala, em inteligência e bom senso. Mentem de forma descarada sobre si próprias, acreditando que os outros são parvos, na maioria das vezes teriam que ser atrasados mentais para acreditar que determinado tipo de afirmações fazem algum sentido. Tecem comentários e fazem juízo de valores sobre terceiros, com uma "lata" e com uma convicção que envergonharia a maioria dos vigaristas.

Desculpem-me pessoas, mas sinceramente não vos suporto. Nunca gostei de falsidade: prefiro uma verdade dolorosa a uma mentira piedosa, o que é completamente diferente de achincalhar de forma gratuita quem quer que seja, mesmo alguém de quem não se gosta muito.

Uma Dica: Pessoas: porque alguém não comenta certo tipo de afirmações que proferem, não significa necessariamente que seja parvo, provavelmente não vos dá a importância suficiente para se dar ao trabalho de refutar os vossos argumentos, muito provavelmente nem sequer presta atenção ao que dizem!

Lealdade

Lealdade é o mesmo que fidelidade.

Porque estou triste com algumas atitudes, resolvi falar sobre isto. Tinha que ser agora, porque se o fizesse antes corria o risco de me antecipar e se o fizesse daqui a uns tempos deixaria de fazer sentido.

É um "post" que escrevo para mim, não tem segundo sentido e não vale a pena tentar decifrá-lo porque não tem solução.

Apenas porque estou triste, atrevo-me a antecipar acontecimentos a que não quero assistir. Talvez seja apenas um exercício para me proteger e ganhar algumas defesas, para não ter surpresas.

Uma Dica: não liguem, deu-me para aqui.

Thursday, May 17, 2007

Paulinho

Ele diz que é "Paulinho".

Eu acho que lhe assenta que nem uma luva. Os nomes compostos têm este problema, eu própria sofro do "síndroma", Maria do Carmo só servia para os ralhetes. Mas também é verdade que pelo menos já sabia o que aí vinha - não deixa de ser uma vantagem.

Mas voltando ao "Paulinho" e para que fique registado para a posteridade: gostei muito de o conhecer, tenho imensa pena que não fique mais tempo connosco. Tenho uma vaga ideia que não leva de nós a melhor das impressões - fruto da louca experiência que aqui viveu, por isso ainda tenho mais pena que não continue por cá.

Eu tenho uma facilidade enorme em "apaixonar-me" pelas pessoas, não por toda a gente claro, mas por umas quantas com quem me tenho cruzado na vida e não costumo quebrar os laços.

Poderia ser um post por encomenda, mas não é - é sentido. Que não haja ciúmes, eu tenho imensas rosas perfumadas para oferecer, especialmente para si aqui fica uma delas.

Uma Dica: Quando se gosta de alguém, dizemos-lhe - eu tenho esta forma de estar na vida. Não deixe de vir almoçar connosco.

Sunday, May 13, 2007

Zézinha

A Zézinha é a minha única irmã.

Apesar de ter apenas menos 14 meses do que eu, continuo a vê-la como uma menina pequena a quem devo a especial obrigação de proteger.

Na verdade foi assim a nossa vida toda. Quando pequenas e nos saudosos tempos de "Maria rapaz", aplicável às duas, apanhei muitas vezes por causa dela: metia-se em sarilhos com os rapazes e, regra geral, quem apanhava era eu - armada em forte só para a defender.

Sempre foi muito engraçada a Zézinha mas muito respondona também, por isso de vez em quando..., apanhava da mãe e lá estava eu, sempre pronta a pôr-me à frente. Confesso que ainda apanhei uns belos tabefes que lhe eram dirigidos.

Agora, separadas por 300 km de distância já há 18 anos, tenho umas saudades loucas das nossas discussões de adolescentes. Adoro as duas semanitas de verão em que estamos juntas e que passam a correr, parte-se-me o coração quando a deixo - parece que a estou a abandonar. Sinto que lhe devia telefonar muitas vezes e não o faço, que a devia ir visitar mais e não posso, gostava que ela estivesse todos os dias comigo para fazermos em conjunto o resumo dos nossos dias e nos indignarmos pelas injustiças ou rirmos dos disparates que ouvimos.

Hoje estou especialmente feliz e, por paradoxo, simultaneamente triste, porque é o dia da "Bênção das Fitas". Sei que ela não foi, apesar da minha insistência para ir, mas também sei que hoje, especialmente hoje, deveria ter estado com ela e nem lhe telefonei porque tive um dia complicado. O dia de hoje é o corolário de um percurso de muito sacrifício e de uma extraordinária força de vontade, contra tudo e contra todos, em concretizar um desejo há muito adiado - terminar a licenciatura.

Eu tenho um orgulho enorme na minha irmã, porque é uma mãe fantástica, uma mulher absolutamente dedicada à família e uma amiga invulgar o que faz dela um ser humano extraordinário.

Uma Dica: Vivemos dias loucos, a nossa vida é literalmente pautada pela tentativa de gerir o dia-a-dia o melhor que nos é possível, afastando-nos consideravelmente daqueles que amamos. Talvez fosse bom fazermos uma pausa e ponderarmos naquilo que é realmente importante, é que corremos o risco de investirmos demasiado em coisas que na realidade não nos fazem felizes, nem interessam para nada.

Tuesday, May 1, 2007

Gafes

O que é uma gafe?
trata-se de um acto ou meia dúzia de palavras proferidas de forma pouco oportuna.

Os políticos são exímios, é com cada uma. Mas eu própria sou expert na matéria. Tenho um jeito especial e natural para dizer a palavra errada ou o comentário mais inoportuno na pior das alturas. Também tenho uma propensão especial para tropeçar, cair ou mesmo atirar-me para cima de alguém quando dá menos jeito.

gafes, que pela sua natureza e transversalidade à maioria dos seres humanos, são autênticos ícones no comportamento social. A mais comum, que já aconteceu a quase todos nós, é a de perguntarmos aos familiares do defunto, depois de apresentarmos os pêsames, se está tudo bem. Comigo é recorrente, não falho uma única vez, é inevitável.

Outra muito frequente é perguntarmos à amiga que não vemos há uns tempos, que por acaso engordou uns quilinhos, se está grávida - desastrosa e quase incontornável. Mas a mais confrangedora, também já me aconteceu - confesso, é confundirmos o namorado/marido com o pai, numa palavra: terrível.

E confundir o namorado de uma das minhas colegas com o filho? Pois, pela aparente diferença de idades, achei mesmo que era o filho e em vez de ter fechado a boca, como seria natural, resolvi ser simpática e fazer conversa de circunstância - bem, ficou pior que estragada.

Se não servirem para mais nada, para além de criar um certo mau estar, as gafes servem pelo menos, para registarmos na memória e nos rirmos mais tarde - dependendo do género, claro.

Uma Dica: Depois de cometida a gafe, não vale a pena tentarmos justificar, é que quanto mais falamos mais nos "enterramos" - acreditem, fala a voz da experiência.

Sunday, April 22, 2007

Enxaqueca

Cara enxaqueca,

Escrevo-te numa tentativa de te sensibilizar. Não achas que uma semana atrás de mim é demais? Já não te chegavam os dois dias de que desfrutavas da minha companhia?

Já me ocorreu que me poderias estar a castigar, mas eu nem sou pessoa de usar o teu nome em vão. Nunca me servi de ti para o que quer que fosse, a não ser para alimentar conversas banais.

Desculpa-me a frontalidade, mas não gosto de ti. Chegas com pezinhos de lã e depois revelas-te cruelmente: controlas todos os meus passos e a minha vida como o pior dos amantes obsessivos. Obrigas-me a recorrer ao apoio de estranhos, fármacos cada vez mais fortes, o que eu detesto.

Numa palavra: odeio-te. Tens a capacidade de tornar a minha vida num autêntico inferno.

Uma Dica: deixa-me em paz!

Thursday, April 19, 2007

Zé Maria

Especialmente para ti!

Meu leitor assíduo. Espero que comentes este post, afinal sempre que me encontras, dizes-me:"estive mesmo para te pôr um comentário...". Sei que é uma maneira extraordinariamente simpática, de me fazeres saber que estás atento à minha escrita.

Tu, Zé Maria, és uma das pessoas mais simpáticas que conheci em ambiente de trabalho, depois tens um sorriso sempre presente que te ilumina o rosto, ainda por cima és um autêntico cavalheiro.

Acho-te graça quando apareces com aquele teu ar de: "lá vou eu incomodar outra vez". Ficas a saber que a mim nunca me incomodarás, aliás é um prazer poder ajudar-te e colaborar contigo.

Tenho presente a forma generosa como me ajudaste e apoiaste quando te anunciei o meu blogue e agradeço-te imenso por isso.

Gosto de ti Zé Maria, especialmente para ti, aqui fica uma mão cheia de rosas perfumadas.

Uma Dica: Não mudes!

Saturday, April 14, 2007

Lisboa

Lisboa é única!

É luminosa como nenhuma outra cidade e quando chegados de fora a sobrevoamos é como se, automaticamente, nos estendesse os seus braços acolhedores.

É cosmopolita como qualquer capital, mas tem as suas peculiaridades: é varina em Alfama, sofisticada nas novas avenidas, bairrista na Ajuda, colorida no Martim Moniz, fadista na Mouraria e divertida nas docas.

Quando o Sol se esconde, a Baixa despe-se de gente e o Castelo levanta-se imponente, como se quisesse beijar a Lua. Vai para a farra no Bairro Alto e dorme nos arredores, mas de manhã já o Chiado iluminado, volta a vestir-se de gente e de trânsito por todo o lado.

Tem uma paixão escaldante com o Tejo, seu primeiro e único namorado. Mas às escondidas pisca o olho aos turistas, flirta os marinheiros e já por uma vez ou outra se perdeu de amores por veleiros vistosos.

A nossa Lisboa, cidade milenar, que foi fenícia, cartaginesa e grega, para depois ser romana, visigoda e muçulmana, é portuguesa desde 1147. Elegeu S.Vicente como seu Santo padroeiro, mas por paradoxo, festeja Stº António com típicos arraiais que atraem milhares de pessoas.

Eu amo profundamente esta Lisboa que não me viu nascer, mas viu crescer e, reconheço, é necessária muita dedicação para servir tão distinta Senhora.

Uma Dica: Quando nos dedicamos a determinadas causas, o que mais importa é a intensidade de amor que lhes temos.

Aparência

A aparência é apenas o aspecto exterior, através do qual e tendencialmente, julgamos as pessoas ou as coisas.

É isto mesmo, vai daí e toca de fazermos juízos de valor sobre pessoas que mal conhecemos, já nos aconteceu a todos, estou certa. Não considero grave e até acho natural.

Eu não sou melhor nem pior que as outras pessoas, tenho esta minha maneira muito especial de estar na vida, que se caracteriza por: agradar aos outros, ainda que, com alguma frequência confesso, isso resulte em prejuízo dos meus próprios interesses; simplicidade e simpatia acima de tudo, já fui muitas vezes rotulada de ciníca, falsa, etc., não que mo digam directamente como aliás é próprio, mas tudo acaba por se saber...

Embora me entristeçam este tipo de atitudes, já lhes dei muito mais importância do que dou, na verdade não tenho muita paciência para a maldade e para a inveja humana.

Apesar de tudo, continuo a investir nesta minha maneira de ser, que considero ser o principal motivo que atrai as pessoas que me são próximas, sobretudo os meus amigos que eu amo de forma incondicional.

Perdoem-me a imodéstia mas gosto muito de mim assim.

Uma Dica: Não existem fórmulas perfeitas de comportamento social ou profissional, a minha não é certamente a melhor, já tive muitos dissabores e sou, seguramente, mais vulnerável à maldade humana - é um risco consciente que estou disposta a correr.

Tuesday, April 10, 2007

Fé Clubista

Hoje está a jogar o Benfica!

Pois e para mal dos meus pecados o jogo está a ser transmitido em directo na televisão. É uma chatice, tenho um benfiquista em casa e cria um mal-estar difícil de descrever, como mais ninguém partilha da sua , parece que estão todos contra ele e que se trata de um desafio pessoal.

Não devia ser tão democrata nestas regras do clubismo, penso eu agora, mas fui e deixei que influenciassem o meu filho mais velho para que fosse benfiquista.

E que benfiquista me saiu o André.

Dou comigo a pensar se será do clube (neste caso o glorioso Benfica), ou se será mesmo fé clubista (comum a todos os clubes)? Tenho a sensação que são todos uns grunhos quando se trata do seu clube. Terão todos os benfiquistas dupla personalidade? O André, que até é bom rapaz, transforma-se e ouço um "gooooolo", dirigido a mim, como se estivesse a defender-se de um ataque pessoal acabadinho de lhe ser infligido, e eu aqui quietinha que nem um rato, dou um salto de espanto. Como é que é possível?

Assumem as derrotas ou as vitórias do seu clube como feitos pessoais, até parece que alguém se importa muito com isso. Bom, eles importam-se!

Era bom que se importassem com outras coisas, se investissem a mesma energia nos estudos ou no trabalho, estou certa que seriamos um país muito melhor. Será que os finlandeses também se preocupam tanto com o futebol?

Uma Dica: Se há coisa que realmente me irrita é o futebol, para não falar nos seus intervenientes. Mas nestas coisas o mais sensato é estar caladinha e não me manifestar, não vale a pena discutir o que não é discutível, sobretudo assuntos irracionais, como é o caso.

Dietas

Dietas milagrosas - há ou não?

Humm, não me parece. Porque tenho sido literalmente assaltada ultimamente, devido à minha aparente perda de peso, resolvi falar sobre isso

Não, não vou revelar nenhum segredo milagroso, apenas posso falar de mim. Já tentei justificar-me com a história de ter voltado a fumar e tal..., mas parece que não pega. Pois, talvez não seja só isso, admito. Nos meus 41 anos, já passei por várias fazes, mas nunca fui realmente gorda, ou quando o fui nunca me aguentei muito tempo, é uma realidade.

As minhas amigas experimentem ter um desequilíbrio emocional, mas daqueles que nos rouba todo o apetite - mesmo frente ao prato mais apetitoso do mundo, ficamos a abarrotar de cheias depois da primeira garfada- e depois digam-me lá se não emagrecem. Nem toda a gente tem esse tipo de reacção, dir-me-ão, então nesse caso lamento dizer-vos, só existe uma solução: boca fechada, mas fechada mesmo.

Acho natural a curiosidade em querer saber o motivo da perda de peso, mas não me lembro nada de ter sido igualmente questionada quando engordei. É que fico sempre com a sensação que estou a esconder um segredo inconfessável que não quero revelar e não é verdade.

Já agora que falamos de segredos e de uma vez por todas: eu não faço nuances ou madeixas no cabelo, é mesmo do sol, do mar e do pouco cuidado que tenho em hidratá-lo no verão, OK?

Uma dica: Muito sinceramente, as pessoas são como são, umas mais cheiinhas outras menos, há mercado para tudo, desculpem-me a franqueza mas é verdade, há gostos para todos os géneros - felizmente. Além disso o que interessa mesmo é ser e não parecer.

Sunday, April 8, 2007

Páscoa - reunião familiar

Reunião familiar obrigatória na Páscoa?

Pois não era hábito, mas de há uns anos para cá, alguém superiormente terá decidido que ia ser assim na minha família. O stress próprio do Natal, para poder agradar a todos - tarefa impossível, passou também a estar presente na altura da Páscoa.

Eu decidi que vou ser uma boa menina: vou fingir que não é hipocrisia nenhuma as pessoas quererem estar com a família nestes dias "festivos"; vou fingir que no resto do ano somos todos muito amiguinhos e próximos, que nos telefonamos com frequência, que fazemos das tripas coração para estamos juntos; vou fingir que me apetece muito mais estar a empanturrar-me com doces um dia inteiro, em vez de ter aproveitado um belo de um fim-de-semana grande para ter ido a qualquer lado.

Até vou fingir, porque já tenho a "estaleca" do Natal e por isso é mais fácil, que não há problema nenhum em correr de um lado para o outro, tentando satisfazer quem nunca fica satisfeito: uns porque não ficamos o tempo suficiente depois do almoço e os outros que reclamam por chegarmos sempre tarde.

Pelo menos sempre tenho o prazer de desfrutar dos meus sobrinhos, que eu adoro. Fofocar com a Inês e com a Catarina que já são umas senhorinhas, mimar e ser mimada por meninas - para variar.

Uma Dica: No universo das relações pessoais, as familiares são talvez as mais difíceis de gerir. Eu faço um esforço enorme para poder agradar a todos, com a perfeita noção que é uma tarefa que nunca cumprirei na perfeição.

Friday, April 6, 2007

Gosto de ti

Há criaturas que nos invadem a vida.

Assim sem mais nem menos, foi o que aconteceu contigo. Lembro-me vagamente de quando nos conhecemos, olhei para ti e adorei-te desde o primeiro momento.

Sei que há outra na tua vida, que nunca me trocarias por ela, nem eu espero isso. Provavelmente o que vês em mim é apenas um prolongamento dela, mas mesmo assim sei que me tens uma dedicação enorme.

Nos fins-de-semana que passamos em família, admiro a forma como aguardas pacientemente à porta do meu quarto até que eu saia, para então, a sós, poderes extravasar a alegria de me veres, longe dos olhares reprovadores dele.

Adoro quando timidamente, na maior das descrições, procuras o carinho das minhas mãos ou quando, louco de alegria, descaradamente te atiras para cima de mim.

Porque gramo mesmo de ti, arrisco dizer:"Max, és o cão da minha vida", surpreendo-me a mim própria a pensar em ti e com saudades tuas - é extraordinário.

Uma Dica: Os cães são uns companheiros extraordinários, eu adoraria ter um, mas não posso porque não tenho condições para isso. Se as pessoas pesassem todos os condicionalismos de acolher uma criatura destas, talvez não os abandonassem com tanta frequência.

Tuesday, April 3, 2007

O Gosto Pela Música

Eu gosto de música!

De acordo com o Rui Miguel Espírito Santo, gosto de música de "Carrinhos de Choque", não sei se é uma expressão vulgar ou não, mas foi dele que ouvi, numa célebre Passagem de Ano, em que eu queria ouvir qualquer coisa, não me lembro bem o quê e ele pacientemente, mas com muita piada - confesso, se levantou e em voz alta ordenou:"então não ouviram? Ponham a música que a Carmo gosta - música de 'Carrinhos de Choque'".

Achei imensa graça e ri-me, claro - nunca mais me esqueci da expressão e até a utilizo, quando me perguntam que tipo de música quero ouvir, respondo prontamente: música de "Carrinhos de Choque".

É uma expressão para definir o género "comercial", é a música que me faz sorrir, não me faz sonhar, não me embala nem me enternece, mas põe-me bem-disposta e faz-me sorrir. Aliás, se alguém pegar no meu i'Pod, percebe imediatamente o que é música de "Carrinhos de Choque".

Ao contrário do que muitas pessoas possam pensar, não tenho problema nenhum em assumir isso - é piroso? Não sei, talvez, mas também não me preocupa nada. Se gosto de outro género? Claro que sim - apenas tenho que estar no mood, se não nada feito.

Uma Dica: Se gostamos de qualquer coisa, ainda que os outros achem que é piroso, para quê esconder? Eu detesto certo tipo de elitismo, fingir que não se gosta, quando se gosta ou até o contrário, não é bem o meu género.

Monday, April 2, 2007

Mau feitio

Mau feitio é uma expressão que dá para muitas coisas: justifica atitudes menos próprias, despotismo na chefia, egoísmo na amizade, arrogância nas relações interpessoais e até falta de educação nas criancinhas.

É frequente desculpar-se alguém com esta simples expressão: "tem mau feitio", até pode ser, mas existe uma tendência, quase maternalista de tentar proteger aqueles que têm, digamos, um comportamento menos adequado.

Os chefes "tiranos" descrevem-se a si próprios como tendo "mau feitio", numa tentativa, quase idiota, de validar decisões e comportamentos comuns ao feudalismo da Idade Média. Mas curioso é observar como as pessoas se tornam, tendencialmente, servis a este tipo de personagem que não respeita nem valoriza a lealdade ou a competência técnica, preferindo humilhar e achincalhar os que o rodeiam. Para esta gente o respeito é conquistado pelo terror e pelo real exercício da tirania.

Quanto à classe dos arrogantes, essas pessoas extraordinárias, dotadas de superioridade intelectual, moral e material, cuja atitude também é justificada pelo "mau feitio", são na realidade uma estirpe de gente insegura, desorientada e desestruturada. Não existe pior erro, na minha opinião, do que ter a arrogância de se sentir superior a alguém: está-se a subestimar o outro e a colocar-se imediatamente numa posição de inferioridade, é uma cretinice.

E as crianças, doces criaturas, capazes de aglutinar em doses idênticas, o adorável e o detestável?
Eu sou mãe, por isso estou muito à vontade, não há nada mais educador que uma palmadinha na altura certa, dói pois dói - mais a nós do que a eles, mas não há nada mais irritante do que ver uma criancinha a pontapear tudo o que lhe aparece à frente, perante o ar condescendente dos pais que justificam a atitude com o "mau feitio".

Estranho, é este sentimento generalizado, eu também estou incluída neste processo, de desculpabilizar este tipo de comportamentos. Na realidade o "mau feitio", fomos nós que o inventámos, talvez para justificar o carinho, a amizade e, nalguns casos, a paixão que sentimos por estas pessoas, em quem investimos grandes doses de paciência - enquanto ela dura.

Uma Dica: Não vale a pena tentarmos enganar-nos. Mais cedo ou mais tarde a paciência acaba e os bons sentimentos dão lugar à raiva. O melhor é decifrar que tipo de "mau feitio" temos pela frente e tentar evitar dissabores quase certos.